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Perfume de Vida



A vida nos faz maravilhosas surpresas. A vida nos traz presentes improváveis, corações que parecem ser totalmente desnecessários em nossa vida. Puro engano! Deus olha lá de cima e vê direitinho o quão indispensáveis são certas pessoas para nosso crescimento, e insuspeitadamente nos faz tais surpresas. Foi assim que Ele colocou em minha vida a menina chamada Bárbara Rosenburg. Há bem pouco tempo, é verdade, mas a eternidade mora nos instantes que extravasam os limites do tempo, assim como o singelo abraço que dela ganhei no encontro PHN desse ano. Por isso pedi que ela escrevesse pra mim o testemunho de vida dela. Leiam, saboreiem, sintam o perfume de vida restaurada que Deus tem construído na vida dela.


Antigamente eu não gostava de ir à igreja. Quando ia, era obrigada pela minha mãe, chegava lá e ficava contando os segundos para ir embora, conversava a missa inteira e ainda ficava pensando em tudo, menos prestar atenção. Sendo que aqui em casa todos são católicos praticantes, até que meu irmão começou a freqüentar a Canção Nova, nos acampamentos PHN e HOSANA, carnavais e até uma virada de ano. Sempre falava para ele: "- Nossa lá deve ser um porre, ser chato demais, todo mundo rezando o dia todo, é pra mim essa vida não" - e ele sempre falava que eu estava enganada e que no dia que eu fosse, eu mudaria de opinião! Até que um dia tomei coragem de ir, chamei uma amiga, arrumamos barraca e tudo, mas exatamente no sábado do PHN eu ia ter uma prova e não podia faltar."- Ufa, me livrei disso!" Até que chegou janeiro de 2007, chamei outra amiga e fomos. Nem achei tão legal assim, tava vazio, eu não fiquei nas palestras e nem nas missas. Continuei no meu mundinho, fazendo de tudo um pouco, principalmente bebendo muito. Tinha festas de eu perder totalmente a linha e chegar a ficar inconsciente, me entreguei a tentações, aos pecados que o mundo me oferecia.

Veio o meu segundo PHN, em julho de 2007. Ali algo começou a mudar: assisti palestras que mexeram comigo, adorações, conheci pessoas maravilhosas, voltei para Barra Mansa com uma paz, mas só naquela semana, depois voltei aquele mundinho inútil que eu vivia. Comecei a namorar sério, meu namorado era maravilhoso comigo, merecia tudo do melhor e eu não dei a ele isso, vivi num namoro com mentiras e traições, com o passar do tempo descobri que não amava, mais ele fazia tudo por mim continuei nesse engano, não desperdiçava uma chance e o traia. Entreguei-me a ele por prazer e não por amor, mas mesmo com amor estaria errada, afinal, coisas assim só depois do casamento. Enfim, meu namoro acabou, pois ele descobriu minhas mentiras e depois disso sofri bastante, pois vi que nada que fiz valeu a pena, tudo foi em vão! Mais continuei né? A vida continuava, saia todo final de semana, bebia demais, não queria nada com nada, não ia a igreja, brigava com os meus pais diariamente. Bebia muito, me tornei uma pessoa fácil e vulgar demais.

Chegou o PHN 2008 e lá fui eu mais uma vez. Nossa, foi uma benção aquilo. M
inha prima que era Espírita se converteu, foi maravilhoso, e eu estava ali presente *-*. E eu? Já tinha? Não, não mesmo. Voltei do PHN a mesma pessoa “errada” de sempre. Comecei a sair com o meu ex-namorado, fazendo o papel da amante na vida dele, afinal ele namorava outra já e estava satisfeita com aquilo, pois sabia que era o máximo que eu conseguia. E essa era minha vida, saia, bebia, me encontrava com o meu ex, nos satisfazíamos em prazer e pronto, assim foi até depois do carnaval de 2009. Aí vieram as preparações do III Orkontro, comecei a entrar na comunidade e ver aquele povo todo unido, cheguei até comentar com a minha amiga, "- Eu acho que sou a única lá que não freqüenta a Igreja direito" :O. Mas a vida me pregou uma peça: meu pai veio a infartar e ficar no CTI e teve que fazer uma cirurgia, a primeira coisa que fui fazer é pedir para Deus tomar conta dele. Foi ali que eu vi que Deus é tudo em nossas vidas e esse mundo cheio de pecado não era nada. Veio o meu arrependimento e o meu pedido de perdão a Ele. Com isso acontecendo com o meu pai, conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram a ver como é bom ser de Deus, pessoas que me ensinaram muito.

Com o PHN 2009 tive minhas certezas num abraço amigo e num carinho. Vi que a Igreja é o meu lugar e lá que eu queria estar e não nesse mundo cheio de pecados. Me arrependi e sei que Deus me perdoou. Então foi graças ao PHN e aos amigos que lá fiz que minha vida mudou, e já na primeira semana pós PHN tive essa certeza, fui em um aniversário de uma amiga e tive coragem de dizer NÃO à bebida e passei a noite feliz, sem beber. Isso já foi uma vitória e agora é só aumentar. Tenho certeza que serei FORTE e CORAJOSA.




Bárbara Soares Rosenburg
09/07/2009

O Ponteiro dos Segundos




Acabei de entrar em casa. A porta estava destrancada como sempre. Eu não gosto de trancá-la mesmo e não há nada para ser roubado. Ou por outro lado o que de fato tem valor em minha casa está tão bem guardado que ladrão algum no mundo pode encontrar. Eu mesmo custo a achar algumas vezes...

Como já é de costume eu levo algum tempo pra me sentir à vontade mesmo em minha própria casa. Sempre que chego, parece-me que algo urgente precisa ser feito na rua e logo me vejo saindo outra vez . Percebo que preciso redescobrir o que diz o poeta: “Quem não tem aonde ir descobre a graça de saber ficar.” Não é fácil, mas sei que consigo se me dispuser a isso. Então, por hoje, eu fico... talvez nem fique por muito tempo, mas começo o exercício. Mesmo que eu demore a aprender, ou que seja difícil, eu sei que preciso.
Não tem comida pronta, mas não estou com fome mesmo. Um copo d’água já é suficiente. Quase sempre eu sinto mais sede do que fome. Aliás, há um certo tempo que não venho à cozinha a não ser pra beber alguma coisa rapidamente e sair de novo. Engraçado porque da porta da cozinha eu vejo o quintal onde eu brincava na infância. E eu gosto de verdade do meu quintal e de lembrar da minha infância, mas eu venho aqui olhar pela porta tão poucas vezes... Normalmente eu só vejo o quintal pela porta da frente, apenas rapidamente quando saio. Raramente eu o vejo inteiro como agora. De qualquer forma já esvaziei o copo e preciso sair da cozinha. Mas eu pretendo voltar aqui mais vezes...
Por fim eu me disponho a ir pra sala e descansar por um tempo, embora eu constantemente ache que não preciso. Mas entendo que é preciso reconhecer que sou humano e preciso repousar às vezes. Então eu tento, me forçando a crer que vou conseguir. Sento-me numa rotunda cadeira de balanço, sem nem mesmo ter vestido algo mais confortável ou caseiro. Nem mesmo lavei o rosto pra retirar os resíduos do mundo exterior. Acho que por isso eu não descanso de verdade. Eu talvez não queira me desligar completamente do mundo lá fora...

O corpo na cadeira não representa muita coisa. Ele não é capaz de aprisionar a mente e forçá-la a descansar também. Enquanto finjo estar quieto e descansando, todo o meu “software” – alma, mente, coração – gira vertiginosamente acompanhando um ritmo de algo maior que eu, que não conheço bem, mas me conforta e acolhe. Tudo isso acontece enquanto meus olhos miram o relógio da parede. Pra falar a verdade, não consigo discernir bem as horas porque nem vejo bem os ponteiros. Ou melhor, eu os vejo em permanente tensão pelo minuto que virá, mesmo sem saber qual será ele. Apenas o ponteiro dos segundos me prende a atenção. Ele é daqueles que andam continuamente, deslizando de um segundo pro outro, sem saltar, em direção ao futuro inexorável que há de se cumprir mesmo que o relógio pare de funcionar ou que eu simplesmente não olhe pro relógio.

Contemplando tudo isso, ouço dentro em mim um eco aparentemente sem sentido, mas que parece dar ritmo ao ponteiro dos segundos:
“Deus é capaz de fazer o que disse que faria”

O ponteiro prefigura a iminente partida que meu coração já vive.
Ele está mais próximo do seu fim último. Em breve eu devo sair de casa.
Mas por hora eu simplesmente estou olhando o ponteiro dos segundos...



Roberto Amorim
17 de junho de 2009
?h - ?min – 15seg.

Polindo Arestas



Todos nós, quando temos nosso encontro pessoal com Jesus Cristo, vivemos um momento singular em nossa vida. É um momento em que se descortina diante de nós toda a alegria de quem encontrou a pérola preciosa de sua vida (Mt 13, 45). É quando nosso coração recebe o vinho novo da Palavra, novos sentimentos começam a brotar no coração, nos pensamentos. Um novo sopro bate lá no fundo da alma, inspirando novas atitudes. Passamos então a viver o que eu costumo chamar de “Lua-de-mel” com Deus. Passamos também a buscar intensamente nossa espiritualidade, os sacramentos, deixamos uma série de atitudes que já não condizem com o novo que passamos a viver. É quando somos de fato resgatados por Deus e iniciamos nosso processo de conversão.

Não há palavras que descrevam o quão maravilhoso é viver este momento. Sentir-se transformado por Sua Presença em nós é essencial para que de fato optemos pela vida nova em Cristo. Experimentar concretamente a tão falada alegria que não passa nos enleva, nos dá coragem para enfrentar as barreiras que virão neste primeiro momento da vida com Deus. Ao mesmo tempo, toda essa alegria, se bem orientada numa vivência de fé consciente e madura, ao invés de nos alienar, torna-se um resumo de toda a felicidade que há de pontilhar nossa vida, mostrando-nos o que nos espera no Céu.

Inicia-se então uma nova história. A vida com Deus vai nos envolvendo o coração, a alma... Ter encontrado essa vida nova vai pouco a pouco desenhando uma nova meta para nossa vida. Ou melhor, vamos enxergando com mais clareza o que Ele tem para nós. Vai então surgindo a inspiração de uma segunda conversão, mais intensa, mais intima, mais próxima Dele. Esse mesmo Deus que nos resgatou de um mundo de vícios e pecados começa a lapidar as arestas do diamante que existe em nós. Tirar a casca grossa que envolvia nosso coração não foi tão difícil afinal. Agora, porém, as pequenas arestas e pontas de pecados que há em nós serão harmonizadas, lapidadas. E então vamos dia a dia nos deparando com os toques finais que o Artista fará em sua obra. Constantemente vamos encontrando aqueles cacos que ainda precisam ser polidos ou mesmo lascados na pedra para que tomemos a fôrma correta. Mas qual será essa fôrma?

Tenho por certo, embora não conheça a fundo o oficio de escultor, que o estado mais delicado na composição de uma obra de arte é justamente o dos retoques finais, pois é aí que a peça vai tomando a forma característica do artista que a construiu. E na delicadeza deste momento torna-se ainda mais latente e visível o amor do artesão pela peça que constrói. Ao mesmo tempo o artista se esmera de tal modo na feitura de sua peça que passa a consumir-se no capricho com que deseja ornar sua criação.

Essa é a dinâmica da nova conversão que Deus nos conduz a viver. Tal qual o fundidor de prata passa horas, dias, meses purificando a prata bruta numa fornalha, assim Deus age conosco. E causa uma imensa admiração, e faz vibrar a alma saber que o sinal de que a prata já está realmente purificada é o fato de que ao olhar para a prata, o fundidor vê nela sua própria imagem refletida.

Confesso que a inspiração para refletir sobre esta passagem bíblica surgiu não da convicção de que já estivesse abalizado o suficiente para falar de conversão. Antes, foi um apelo interior de Deus, mostrando-me o quanto ainda preciso me deixar transformar naquelas realidades que para mim nem parecem pecado, mas que são arestas e pontas que ainda desarmonizam aquilo que sou daquilo que quero ser. Não me adiantará arrancar grandes árvores se também as raízes entranhadas em mim não forem desenterradas.

A reflexão aqui proposta serviu como uma partilha e mesmo como uma automedicação. Sinto que Ele quis falar muito mais a mim mesmo do que a todos quantos possam vir a ler este texto. Quero tal qual São Paulo, por meio de uma busca sempre mais intensa do Seu Amor, refletir constantemente Sua Face no dia a dia, a ponto de poder dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu. É Cristo que vive em mim!” (Gal 2,20)


Com carinho e orações
Roberto Amorim
18/05/2009