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O ALTAR DE CRISTO, FRONT DOS HERÓIS

Vivenciando este mês vocacional que a Santa Igreja nos propõe, achei oportuno refletir aqui a respeito da figura dos nossos sacerdotes, vocação profundamente valiosa para o Reino de Deus. Espero que possamos todos nós, povo cristão católico, enxergarmos sempre o valor desta vida consagrada ao Senhor.

De tempos para cá, por causa de todo o aprendizado e vivência das diversas situações que a caminhada com Deus me proporciona, tenho sido profundamente tocado pelo mistério que envolve a figura do sacerdote, homem que transcende sua humanidade e a empresta a Cristo para que, de modo perene nos altares do mundo, continue a acontecer o sacrifício do Calvário. E por meio de tantos testemunhos de grandes e santos sacerdotes que edificaram minha fé, me convenço cada vez mais de que O ALTAR É O LUGAR DOS HERÓIS. Assim, trago ao coração dos filhos e filhas da Igreja esta reflexão humilde e grata ao Senhor pelo dom da vocação sacerdotal dos nossos pastores.

Falar do sacerdócio da Igreja em seus padres é falar do Calvário, da Cruz, do Sacrifício do Senhor, que nos remiu e rompeu para nós o céu para que lá pudéssemos entrar. Ora, isto é a Santa Missa: banquete sacrifical do Cordeiro de Deus, que unicamente pela unção das mãos do sacerdote traz aos nossos altares aquele instante que extravasou os limites do tempo, o instante em que o céu fez silêncio frente à imensurável dor do coração do Pai que assistia à entrega de amor do Seu Verbo Eterno. Portanto, se tal é a grandiosidade da Santa Missa, que mistério não reside na alma de um servo ordenado pelo poder de Cristo, servo este que, participando do único sacerdócio real do mundo – o de Cristo – é também o único a nos trazer este dom supremo, mistério de amor e dor?



Penso que no coração de um sacerdote deve existir ao mesmo tempo uma profunda gratidão e uma imensa perplexidade, pois como compreender que Deus se deixe ser manuseado pelas mãos da fragilidade humana? Certamente não são as mãos de qualquer um, mas são uma realidade finita que consagram o pão e vinho no altar por força da unção que lhe é conferida por Cristo, que sendo a vitima perfeita e também o único sacerdote digno de oferecer-se ao Pai em sacrifício redentor. Assim, é Cristo quem, na pessoa do ministro ordenado, se oferece na Missa. O que não deve, portanto, ocorrer na alma destes homens que recebem do próprio Senhor, pela autoridade da Santa Igreja, este múnus (autoridade) para que possam dar ao mundo o Santo Sacrifício?



Também me passa pelo coração o amor pelo altar, pela missão em si que deve haver no coração de cada padre. Antes mesmo do desejo de pregar, de servir ao Senhor seja no auxilio aos pobres ou qualquer outra meta, por mais nobre que possa ser o mistério da Santa Missa e a adoração ao Senhor devem ser a razão da vida do sacerdote. Toda a sua razão de ser é unicamente a razão de amar a Cristo na Eucaristia, e nela todos os desdobramentos característicos da missão devem ter seu ápice, seu ponto de partida e de chegada. Assim como a decisão por assumir tal missão não deve vir como fuga de si mesmo, e que não seja descuidado o dom sacerdotal dos que assumem frente a Cristo e Sua Esposa a missão do Altar, pois se tão indescritível mistério se dá no coração dos padres, que tristeza não menos profunda quando tantos que do Senhor receberam o chamado não o honram acima de tudo...



Por fim imagino quão feroz batalha vivem estes homens. Ainda que jamais tenha tido a coragem de tecer comentários muito fortes acerca disso, imagino a sanha assassina de Satanás para devorar e destruir o sacerdócio de Cristo na Igreja, investindo de modo tão selvagem contra estes heróis do Altar no intuito de arrancar este mistério de suas almas. Saibamos todos do profundo ódio que tem o demônio pelos sacerdotes que dão a vida pelo Cristo em cada Missa e a celebram com o coração inteiro entregue naquele momento juntamente com o Corpo e Sangue do Senhor. Sacerdotes esses que pela santidade com que viveram sua vocação arrancaram do Inferno milhares de almas que eram cativas das trevas. De modo muito especial, menciono aqui somente o grande Pe. Pio de Pietrelcina, que era violentamente atacado por Satanás, sofrendo insidias físicas inclusive. Este santo sacerdote, profundo adorador da Eucaristia, de tal modo compreendeu tal mistério que chegava a declarar: “O mundo pode passar sem o calor do sol, mas não sem a Santa Missa.” Portanto, igualmente intensa dever ser nossa intercessão pelos homens do Altar, que creio serem juntamente com a juventude, os alvos principais das hordas do Inferno.



Enfim, aqui deixo esta reflexão e partilha a respeito dos nossos pastores na terra. Saibamos que na alma de um sacerdote habita o mistério da Cruz, do Calvário, do Sacrifício do Senhor; que no coração dos padres, ainda que sendo um coração humano, o Verbo de Deus o inflama de amor pelo mistério eucarístico do Altar. E que nós peçamos ao Senhor que tenhamos também um coração sacerdotal. Que Deus os fortaleça em seu sacerdócio ministerial para que inspirem no sacerdócio comum dos filhos da Igreja este maior desejo de santidade e amor pela Eucaristia.



Termino com a certeza que me brota no coração após refletir a respeito da vocação do Altar:



O ALTAR É OLUGAR DOS HERÓIS.





Com carinho e orações,
Roberto Amorim.



21/08/2009

Amar é uma Decisão...

Não sei ao certo quão intensos podem ser os sentimentos na vida das pessoas. Aliás, mesmo na minha vida não estou bem certo disso também. Acho que na verdade não acredito muito que sentimentos possam ser intensos porque creio que não combinam entre si as duas palavras. Em minha opinião – que nem é pra ser considerada tanta coisa assim – sentimentos não tem muito a ver com intensidade. INTENSO me lembra TENSÃO. Sentimentos são profundos e as paixões sim são intensas. E por isso, efêmeras. Algo muito IN-TENSO não pode, portanto permanecer por muito tempo. A tensão se esvai em algum momento, junto com a intensidade. O tempo se encarrega de baixar a poeira e, de fato, é melhor que seja assim. Os olhos ficam turvos nas tempestades de areia. Isso não se dá com os sentimentos. Estes arraigam-se nas “vísceras” alma e cristalizam-se. Logo se tornam parte de nós. Tornam-se decisões! Por isso tenho aprendido que amar não tem tanto a ver com o sensual humano – leia-se sentir – mas muito mais com nossas faculdades volitivas. Aprendi que AMAR É UMA DECISÃO!



Penso assim porque há experiências em nossa vida pelas quais muitos não quereríamos passar. Se pudéssemos optar, sem dúvida escolheríamos ao menos não experimentar todas as conseqüências de certos acontecimentos. Mas mesmo em tais momentos algo dentro em nós nos impele a enfrentar a situação. Uma espécie de querer autônomo. Assim é com o amor, com o gesto de amar. Não tem tanto a ver com o sentir, mas com uma meta, um propósito. Se assim não fosse, o menor sentimento de decepção soterraria o amor.




É preciso decidir-se pelo amor! Diariamente! Tal como o Salvador. Jesus amou até o fim, até que não houvesse mais uma gota de sangue e suor em seu corpo humano. Mas não tanto porque tivesse sido crucificado e este foi o fim de sua capacidade de amar. Longe disso, amou sabendo que isso o levaria à cruz, à morte. Creio ser esse o significado do versículo bíblico: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”(Jo 13,1). Amou até o fim, até a meta final.




Paro por um instante paro a reflexão aqui proposta e me lanço num pensamento que há tempos pulsa em mim: “Desejo tal amor para minha vida!”. Desejo amar assim. Sei que meu coração, por mais seduzido que possa ser por Deus – e nem é tanto assim quanto acredito ser – é fraco demais, e não comporta todo esse amor nessa dimensão. Então entendo a oração da Igreja: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!”. Desejo sim amar com o coração de Cristo em meu peito. Além das decepções, além dos medos, aparências... Mas e se tal decisão me levar à morte? E se tal decisão me levar a precisar morrer pra mim mesmo no que mais prezo?




Bem... mesmo aí quero ter coragem para dar o passo à frente. Não quero hesitar nessa decisão, pois sei que na verdade o prêmio do amar não é ser amado em troca, mas tão somente amar, pois amar assim nos transfigura na imagem do Filho de Deus. Amar até o fim, ser fiel até o fim... Amar como Jesus amou!




Tenho por certo que é essa a decisão de minha vida. Desejo amá-lo e Nele amar também os que Ele me der. Ainda que me custe a vida ou o viver. Quero viver para isso!




Termino com a frase de São João da Cruz, pois creio que nessa frase encontramos a plena verdade acerca do amor:




“No entardecer de nossas vidas, seremos julgados acerca do amor houvermos sentido.”
Com o Amor do Coração de Cristo
Roberto Amorim

No Peito eu Levo uma Cruz*


O amor que transpassa o teu peito rasga no meu peito a gratidão.
(Ministério Missionário Shalom)

Creio que eu era ainda criança quando pela primeira vez pendurei em meu pescoço um pequeno barbante do qual pendia aquele singular sinal: uma trave vertical atravessada por outra horizontal, esta um pouco menor. Nelas repousava a imagem de um homem pregado, que só bem mais tarde fui aprender de quem se tratava. Naquele momento não fazia assim tanta diferença saber mais sobre a cruz ou sobre o personagem que nela se encontrava. Mas nem com muito esforço eu poderia intuir qual a dimensão que aquele símbolo tomaria em minha vida.

Lembro-me que não usava o crucifixo com tanta freqüência assim. Mas me lembro bem, ou melhor, SEI que numa das vezes em que tirei o cordão do pescoço, isso não foi mais suficiente para que a cruz saísse do meu peito. Tal qual um ferro em brasa, um carimbo incandescente, a cruz e tudo o que ela representava e viria a simbolizar para mim, toda a sua mística atravessava-me as roupas, o peito e imprimia sua marca em meu coração. Já não importava se da cruz eu me desfizesse, se a tirasse do pescoço... Dentro em mim ela já estava fincada no solo do meu Calvário interior. Constatei que ela havia invadido minha vida e dava o rumo de meus passos e o tom das minhas canções. Compreendi ali a realidade de um cavaleiro que, tão somente buscando servir o seu senhor, não se torna conhecido pelos seus grandes feitos e conquistas ou batalhas vencidas, mas pelo brasão do senhor ao qual serve que traz indelevelmente estampado em sua armadura. Vi que dentro em mim esse era meu maior anseio. Mas ao mesmo tempo em que percebia isso em mim, essa alegria de trazer na alma o brasão de Cristo, me questionava em algo que, uma vez respondido, passaria então a ser razão de júbilo ainda maior em minha vida: ao perceber que a cruz outrora trazida no peito e hoje na alma, tornara-se a insígnia de minhas andanças e vivências, eu me perguntava por que um sinal de violência animalesca e cruel se havia tonado alvo de meu fascínio e norte de minha fé? E estendo a outros essa reflexão que em mim pulsava: por que aceitar como símbolo uma imagem que menciona escancaradamente a violência humana que grassa em nosso meio e que tanto combatemos?

Entendo que o fascínio e atração que a cruz exerce sobre tantos corações - entre eles o meu – não estão e não podem estar em nenhum momento sobre um mórbido prazer de se contemplar o corpo espatifado de um jovem sobre a cruz. Não cultuamos a morte sob nenhum aspecto. Na realidade, olhar para aquele que transpassaram (Zac 12,10) é também deixar que nossos olhos transpassem o Gólgota e alcancem a mística da entrega da vida a um amor desmesurado pelos seus. Amor que ultrapassa toda a compreensão humana, que não entrega o que tem, mas o que é; que se entrega totalmente em razão do bem do próximo. No caso de Cristo, a salvação do gênero humano.

Assim descobri o porquê daquele símbolo ter afogueado de tal modo minha alma, meu coração. É desse modo que desejo me entregar: num amor que não veja ou consinta em limites na sua capacidade de doar-se e acolher. Tal como relata o evangelista: “Tenho amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” (Jo 13,1). Não apenas um fim circunstancial, como amar até que se canse ou até que o amor se acabe, mas amar até que não haja mais o que amar; entregar até que já não haja nada mais pra ser entregue. Perder-se no Senhor e nele completar-se, como diz uma bela canção. E mais ainda: entender que tal entrega não se faz por mérito ou desejo de recompensa, ou mesmo pela vã esperança de assemelhar-se à glória do Cristo ou mesmo equipararmos nossa entrega à Dele. Mas viver tal entrega como sinal de eterna gratidão ao Senhor, em oferta de si mesmo por amor a Ele e aos irmãos. Amá-los sempre e mais e neles mirar o amor do próprio Deus. Encontrar sua Divina Face em cada rosto e assim servi-lo.

Amados irmãos de fé, mais do que crer no Senhor, creio que vivemos num tempo em que é necessário para nossa própria edificação vivermos em alguma dimensão esse amor pela Cruz do Senhor, sinal não de morte, mas de vida. É necessário estar disposto a dar a vida pela causa que dizemos crer. Não podemos mais viver uma fé estéril, de cumprimento de preceitos e obrigações, mas descobrir a razão de vivê-la será o sustentáculo para sermos fiéis até sua volta gloriosa. Nisso nós cremos! Nele esperamos!

Vivamos apaixonadamente o mistério da Cruz, pois a mística de tal entrega há de nos levar à intimidade do Seu Divino Coração.



Com carinho e orações,
Roberto Amorim.
Coqueiral de Aracruz – 02/08/2009.

*Música “Nova Geração” (Pe. Zezinho, scj)