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Afetividade Transfigurada



Quem de nós pode negar o bem que nos faz as boas amizades que construímos em Deus? Não é verdade que, enquanto caminhamos pela vida, o Pai constantemente espalha flores e pétalas pela senda, que adornam e perfumam o caminhar? Não é também verdade que toda dor partilhada com outro coração compreensivo e carinhoso, parece doer menos? Ainda: que coração, mesmo que resistente e empedernido, não se rende à centelha divina que brilha no olhar de um bom amigo?

Viver uma boa amizade, uma santa amizade, que nos construa, faz parte do mistério da ação Divina em nós. Viver uma amizade em Deus é aproximar-se, comprometer-se tornar nossos as realidades e sonhos do outro, por meio do estar junto, apoiando o que é pra ser apoiado, mas corrigindo com seriedade e doçura o que não pode crescer no outro.

No nosso idioma, a palavra amor só possui uma dimensão, ainda que possamos usá-la em tantas situações diferentes...

No grego, o que chamamos de amor pode-se expressar de três formas: Philos, que conhecemos por amizade, afeição; Eros, o amor erótico, entre o homem e a mulher; o Ágape, o amor total, perfeito, o amor do Pai por nós. Portanto, se a vivência de uma amizade verdadeira nos compromete, tal comprometimento nos expõe, nos despe em alguns aspectos, deixa às claras alguns limites particulares, que pode nos levar a duas direções diametralmente opostas, dependendo do quanto nos deixamos tocar e moldar pelo Senhor em nossa afetividade. Se a nossa convivência com o outro, nosso amor Philos não estiver perpassado pelo Amor de Deus – Ágape – corremos o sério risco de nos perdermos por um caminho de desenganos que nos pode ferir e levar até mesmo ao pecado, mesmo que não intencionalmente.

Assim, falar de amizade em Deus é falar também de cura, da ação restauradora de Deus em nós, amando o outro através de mim, e transformando-o por meio de uma sadia convivência de amor e carinho, purificados das segundas intenções que hoje permeiam tantas relações.

A amizade vivida em Deus tem o poder de ressuscitar o outro dos sepulcros onde ele experimente a morte dos seus sentimentos, de sua fé, de sua integralidade e identidade como filho amado de Deus. Tem o poder de devolver o outro a ele mesmo, sendo a presença discreta que não escraviza, mas liberta até de si mesmo. Amor – qualquer que seja – que não promove a liberdade é prisão sem grades. Tem o poder de ser a ausência presente, na força de uma palavra que tem a capacidade de demorar no coração do outro, fazê-lo pensar e sirva, no mínimo, de incentivo para que deixe Deus fazer sua obra. Tem o poder de resgatar o nosso verdadeiro valor, mesmo quando as carências nos façam baixar o preço e mendigar qualquer pseudo-amor. E, enxergando nosso valor, caminhamos e agimos de acordo com o que somos: FILHOS DO REI.

Que o Senhor nos dê a graça de vivermos intensamente em Deus todos os nossos relacionamentos, especialmente as amizades.

Carinho e orações
Roberto Amorim.











Trindade Humana


Minha essência é feita de encontros e das aquarelas de outras historias pingos de tinta salpicam minha tela. Nas margens do meu rio saudades e presenças formam barrancos, que constantemente despencam e diluem-se nas minhas águas.  Eu sou eu e meus encontros, com as harmonias e dissonâncias que me acontecem, com as cores e matizes que me pintam os Calvários e Tabores deste tempo. Neles eu me toco e me percebo, me resgato e outra vez me entrego ao garimpo de Deus, que com seus malhos e martelos esculpe nesta pedra bruta um retrato de Sua Divina Face.
            Nessa experiência de encontro, na aventura de dar boas vindas àqueles que adentram os portões de nossa história, uma janela pode abrir-se, por onde podemos vislumbrar os rascunhos da eternidade. De um acaso fortuito, de um encontro insuspeitado pode surgir a ponte entre o divino e o humano que há em nós. Nessa simplicidade tão cotidiana do encontrar-se e relacionar-se, a realidade trinitária nos pode tocar e colorir a vida, na medida em que saibamos enxergar o céu interior que existe em cada um.
            Creio que cada vez que surge um elo entre dois corações, elo esse que, livre de toda maldade e poluição hodierna e ornado de reta intenção, o eterno curva-se ao tempo e gesta em nós a realidade trinitária em que cremos. O mistério da Santíssima Trindade, tão excelso e inalcançável mesmo para os grandes santos e místicos da historia, é recoberto de uma delicada e singela poesia: O Deus que é único não é solitário! E nos encontros desta estrada que percorremos, nas esquinas e vielas desta face temporal da eternidade que nos espera, a ação criadora de Deus nos abraça e recorta do imanente e nos insere nas realidades sem ocaso, no eterno hoje divino.
            Assim se dá com as almas que se encontram no coração do Senhor. Almas que enamoram-se em Deus e por Deus trazem dentro de si esta porta aberta para receber o outro e conduzi-lo ao transcendente, ao céu interior plantado por Deus em nós.
            O pensamento filosófico ensina que no encontro de duas pessoas um terceiro ente é gerado. Do encontro entre um “EU” e um “TU” surge um “NÓS”, resultado dos reflexos da luz de Deus que incidem sobre os que Nele se encontram. E quando de fato esse “NÓS” nasce por força do amor a Deus, torna-se comunhão divina, união que prende a alma à verdadeira liberdade de ser o que se é. Amor que vem do céu e para o céu aponta, sem querer pra si. Esse é o amor que promove e faz crescer, onde o Sopro de Vida Divino habita: “Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.”
            Nos fragmentos de eternidade que essas misturas e poesias residentes nos outros me proporcionam, eu reconheço o quanto Deus me forma e restaura. É bom viver e ser parte deste “NÓS” que o outro gera em mim. Sou bem melhor quando Deus usa você pra me fazer tocar o céu, pois sou metade incompleta que só a eternidade poderá preencher; estrada que, ainda em reformas,  carece de material pra construir a ponte que vai levar até o outro lado.
            Meu céu interior se torna Paraíso quando NÓS formamos a Trindade Humana.
               
Com carinho e orações,
Roberto Amorim.
04/12/2009.

Viver Sempre com ADORAÇÃO E VIDA



A vida virtual, como já disse aqui, nos reserva agradáveis surpresas. Por meio dela, encontrei lá em Fortaleza - CE um jovem que merece ser chamado de GUIBOR, termo hebraico que siginifica VALENTE. Encontrei um Valente de Deus. Não há muito que eu possa falar do Joel. Deixo com vocês as palavras dele mesmo. Sejam para cada um de vocês força e coragem vindas do Céu, pois para mim foram isso e muito mais...


"Bem, vou falar um pouco de minha vida pra vocês. Me chamo Joel Araújo, tenho 23 anos. Quando era criança tinha muitos sonhos e gostava muito de brincar e de ir à escola, mas aos 12 anos comecei a sentir minhas pernas doloridas e não sabia o que era. Fui ao colégio e na volta caí, e não consegui me levantar sozinho. Um senhor me pegou nos braços e me levou até minha casa. Passei o dia deitado, dormi e quando acordei não conseguia andar. Fui ao médico e lá passei por vários exames, até descobrir que teria que sair do colégio.

Nossa! Pra mim foi um choque. Sempre que me perguntavam o que aconteceu comigo, eu respondia:”-Não sei, foi uma noite traiçoeira!”. Então tive que ser internado por vários meses. Fiquei mais tempo no hospital do que em casa. Fiz fisioterapia e com 15 anos, tive ser operado. Foi uma das fases mais difíceis de minha vida,mas como acredito em Deus, enfrentei. Fui internado e após dois meses, chegou o dia da cirurgia (nunca esquecerei: 17 de junho de 2002, dois dias após meu aniversario).Na noite anterior, um enfermeiro disse que queria falar comigo a respeito da operação. Disse a ele que poderia falar. Daí, ele começou: “-Olha sua cirurgia é arriscada, você vai passar por anestesia geral, quem faz essa cirurgia passa de uma a duas semanas na UTI...” Nossa, eu tremi todo e ele ainda disse que poucos resistiam a esse tipo de cirurgia. Quando ele saiu, comecei a chorar desesperadamente. Logo depois, cerca de vinte minutos, chega uma enfermeira e pede pra falar com minha mãe em particular Perguntei se era a respeito da minha cirurgia e ela disse que sim. Falei que já sabia de tudo, e ela ficou muito preocupada, pois disse q não era pro enfermeiro ter dito nada na minha frente. Daí, ela mandou que eu tomasse remédios pra dormir. Eu tomei, mas não dormi. Passei a noite rezando e pedindo a Deus para que se fizesse a vontade Dele.

Passou a noite e chegou o momento. Na hora da cirurgia, quando chegaram pra me levar pro centro cirúrgico, eu desmaiei. Mesmo assim me levaram. Acordei na sala de cirurgia. Deram-me um líquido, bebi e adormeci. Para honra e glória do Senhor, quando eu acordei tinham se passado dois dias e eu já estava fora da UTI. Então, fiquei mais um mês internado e voltei pra casa, ainda sem anda. Entrei em depressão, passei 2 anos em tratamento com psicólogos, até que um dia me decidi viver do jeito que Deus quer, levantei a cabeça e disse: “A partir de hoje, minha vida voltará ao normal!”. Voltei ao colégio, fiz vários cursos, e hoje, para honra e glória do Senhor, terminei o colegial, e estou esperando o momento certo para entrar na faculdade.

Gente, peço que orem por mim, pois não é fácil. Há dias em que fraquejo e um simples olhar já me faz chorar... Peço também que vocês não desistam de nada, pois com Deus podemos TUDO.
Um forte abraço! Adoração e vida pra vocês! Deus os abençoe!"

Joel Araujo
MSN: webinhovip@hotmail.com