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Trinta Moedas de Prata

Este é um texto poético, mais do que propriamente formativo. Não reflete a posição da Igreja Católica em relação a Judas, o apóstolo que traiu Jesus Cristo. Somente quis colocá-lo aqui como expressão do que acredito ser o mesmo sentimento que toma conta de nós quando erramos, quando perdemos o nosso foco em Deus, quando sentimos que mais uma vez abandonamos nosso Senhor por coisas tão pequenas e insignificantes. Desejo que sirva para nossa reflexão. 

Ainda que tivesse a ciência de todas as palavras do mundo, e com elas o tempo necessário para, examinando-as uma por uma, escolher aquelas que melhor definissem o olhar daquele homem, ainda assim eu não conseguiria expressar tudo o que neles eu via. Seu olhar tinha a capacidade de nos invadir e desvendar sem nos ofender e revelar as verdades sem nos acusar. Parecia-me enxergar o infinito naqueles olhos. O infinito que me era reservado e no qual toda a ansiedade que eu sempre trouxe na alma, toda a inquietude interior do meu coração haveria de encontrar repouso. E isso tudo Ele me mostrava simplesmente ao olhar-me, na eloqüência de um silêncio que dizia quem eu era de verdade e o que a mim estava destinado se me dispusesse a aceitá-lo.
            Não é difícil entender porque tantas multidões acorriam para vê-lo. Muito mais do que desfrutar daquele jeito de olhar, iam também beber das palavras de vida eterna que Ele nos falava. Acredito que as maiores curas que realizou foram por meio de sua voz, sua pregação, que nos trazia o céu para mais perto. Não poderia ser diferente, aliás. Sendo Ele o Verbo Eterno do Pai – e só hoje consigo enxergar isso – todas as suas palavras tinham o poder de nos conduzir ao coração do Deus do qual esperávamos a libertação. E ela veio em pessoa... E ao nosso lado caminhou, falou e viveu por três anos.
            É difícil conceber uma realidade tão alta, tão grandiosa. Não se podia intuir ou supor que aquele homem, sendo quem era, viesse a escolher andar entre nós, convidar-nos a experimentar algo a que jamais teríamos direito. E mais absurdo ainda: por que é que resolveu escolher a mim para ser seu discípulo? Antes de ser escolhido por Ele, naquela tarde na praia, eu já tinha ouvido muito a seu respeito. E Ele certamente já me conhecia também, ao menos de me ver andar pelas cercanias. E ao fitar-me nos olhos pela primeira vez, parecia já saber tudo de mim. E o sabia, de fato. Alias, sabia muito bem quem éramos nós, seus discípulos. Homens fracos, mesquinhos, limitados, de mente e coração pequenos. E sabia principalmente que nós é que precisávamos dele em nossas vidas, muito mais do que Ele de nós.
O quanto me constrangia tudo isso! Como alguém tão especial, tão diferente, podia aceitar comer, conversar, preferir a companhia de gente que não prestava? Como crer que o Filho de Deus gostava de sentar-se à mesa com gente que não merecia o céu? E como pôde nos dizer com tanta verdade nos olhos que desejava ardentemente comer conosco a ceia de Páscoa sabendo que ali seria o palco de minha indigna atuação? Não cabia em mim tal absurdo! Não cabia em mim aceitar o amor com que, olhando-me nos olhos, me oferecia o pedaço de pão umedecido no vinho, sinal de um carinho e que eu jamais fiz por merecer e ao qual eu retribuiria com imensa ingratidão! Não me sai dos olhos da alma aquele olhar com que Ele tentava sustentar e acolher o que ainda restava de divino em mim... Não consigo entender por que fiz o que fiz...
            No entrelaço do abraço com que me envolvia no momento em que o beijei no rosto, sentia o coração pular dentro do peito e uma mistura de dor e negação, como se estivesse deixando escorrer pelas mãos a única coisa que dava cor e razão à minha vida. E juro que a razão daquele beijo não era somente a cruel traição, um frio sinal indicativo de quem era o Nazareno. Havia naquele beijo uma gratidão frágil e covarde, um amor miserável e doído por não conseguir tomar a frente das minhas ações. Havia naquele beijo a semente do amor que Ele plantara em mim, e que por minha covardia e cegueira eu deixei ser sufocado.
E depois disso... Silêncio. Dor, frio, solidão... Uma feroz acusação interior argüindo-me violentamente: “Que fizeste discípulo infiel? Entregaste à morte o teu Senhor?”. Tudo o que me restou foi este nó na garganta por causa de um perdão que não pedi. Esta lágrima que me desce sangrando pelos olhos da alma, por eu não tê-la deixado escorrer de modo honesto e sincero em sua frente, limpando o meu coração que precisava ser curado naquele momento. E assim troquei o homem que mudara a minha vida por miseráveis trinta moedas de prata. Entreguei por tão pouco aquele que não tinha valor mensurável! Aquele que me mostrou e ensinou a verdadeira liberdade, eu o entreguei pelo preço de um escravo, sem saber que, na verdade, o prisioneiro era eu.
Quisera eu voltar no tempo e ter acreditado um pouco mais. Olhá-lo nos olhos uma última vez e sentir-me revelado a mim mesmo, e na minha pequenez, deixar-me perder em sua misericórdia, deixar brotar em mim as flores cujas sementes ele semeou para perfumar minha história. Confesso que se pudesse voltar no tempo e refazer este pedaço da minha vida, eu daria minha vida por este homem, ao invés de deixar que a culpa e o remorso viessem me ceifar a certeza de que seria perdoado por Ele se tivesse a humildade de buscar o seu perdão.

E certamente eu não estaria também enrolando esta corda em meu pescoço...

Roberto Amorim.
27/08/2008

Resgate Já...

Este texto foi escrito já há um bom tempo, e ontem, numa despretenciosa conversa com uma menina que vale ouro, lembrei-me dele e resolvi postá-lo aqui no blog. Percebi que Deus, sendo eterno, sabe bem como usar nossas "cruzes" de modo atemporal, para ressuscitar jardins em nossos corações a qualquer tempo. Minha dor de três anos atrás, por pura obra de misericórdia de nosso Grande Deus, perfumou o coração de uma outra história, essa atual. 

Com carinho e orações dedico esse texto a Grayce Sodré.



Fim do dia, o sol vai se pondo, sumindo no horizonte, o céu vai se deixando pontilhar de estrelas que vigiarão a noite que cai. Vem ao coração aquele conhecido anseio pelo merecido descanso que nos sugere o ocaso. E em meio a todo este cenário, surgem também esperanças, esperas, saudades, amores... Perguntas que precisamos responder por meio dos fatos que vivemos e nos permitimos viver ao longo do dia: o que resta de mim em mim quando finda o dia? O que ficou em mim que pode se tornar parágrafo da próxima página de minha história?

Muitas vezes não sabemos ou não queremos perceber o quanto de nossa vida vai ficando pelo chão de nossa história ao longo de nossas vivências. E se pedaços de mim vão sendo esquecidos à beira do caminho, é bem capaz de que outros pedaços acabem sendo roubados e seqüestrados por aqueles que permitimos entrar em nossa vida. E ao fim do dia nos deparamos com tão pouco de nós mesmos que a inadequação e indocilidade que antes eram razões de sonhos e metas tornam-se angústia por causa da saudade que temos de nós mesmos. Porque nesta constante aventura de caminhar pela vida nossos descuidos de nós mesmos nos fazem renunciar à posse do tesouro que somos. E se não nos temos integralmente, não podemos nos dispor ao outro. Acabamos ou por nos dar aos outros pela metade ou damos mais do que ele merece.

Por isso é necessário viver cotidianamente nosso processo de resgate, recolhendo aquilo que é essencialmente nosso para que não percamos a dimensão de nossa identidade. Ao mesmo tempo, não podemos deixar que as circunstâncias cristalizem em nós realidades que não nos pertençam. Neste mundo de fachadas impostas, a gente corre o risco de deixar de se reconhecer, por tentar assimilar demais aquilo que nos violenta. Como uma obra de arte que só está completa quando o artista que a criou retira os excessos da matéria prima de que é composta, e não faculta a qualquer um o direito de lhe subtrair ou adicionar o que julgar necessário, também nós somos assim. Sabemos bem – e só nós o sabemos – o que o Artista precisou lapidar em nós para que fôssemos aperfeiçoados. Tanto quanto sabemos dos preciosismos e caprichos com que Nosso Autor nos ornou, e são caros demais para que os deixemos cair pelo caminho ou entregues a quem não tem o direito de possuí-los.

E assim, como a obra de arte como um todo pertence ao seu autor, também cada parte da obra a ele pertence. Portanto, é tempo de resgatar aquilo que, pertencendo a nós, pertence primeiramente a Deus.

É hora de resgatar as posses de Deus em nós.

Resgate já.

Paz e  Bem
Roberto Amorim
Junho de 2008



NOSSO GRANDE DEUS ME SALVOU

Há uma constante na história da Salvação, que nenhum de nós pode negar por ser dado bíblico, ainda que relativamente discreto ao longo de toda a Sagrada Escritura: DEUS CONFIA NOS JOVENS! Basta que folheemos algumas páginas para repararmos: Josué, discípulo de Moisés; o pequeno Samuel; o jovem Davi, que apascentava as ovelhas de seu pai... E se todos esses exemplos não bastassem, o Deus Altíssimo confiou ao ventre de uma virgem de aproximadamente 15 anos o Seu Divino Verbo, Primogênito de Toda a Criação. No ventre de uma jovem habitou Aquele por quem todas as coisas foram feitas, porque assim quis o Deus Criador do Universo. Portanto, muito me alegra o coração ter em mãos para partilhar com vocês o testemunho de mais um jovem que se deixou conquistar por Deus. Desejo que seja alimento, força e estímulo para a caminhada de cada um. Deus o abençoe, Diego. Suas palavras hão de resgatar corações para o Reino de Deus. 


Diego Martins
Olá caros leitores do blog, IMORTAL  JUVENTUDE, venho através dessa escrita, falar sobre a grande transformação que nosso DEUS realizou em minha vida. Bem, eu me dizia católico e não sabia os fundamentos para ser um bom e verdadeiro católico, nem a SANTA MISSA eu frequentava. Era muito rebelde e orgulhoso, do tipo querer resolver as coisas todas do meu jeito. Foi então que, com o passar do tempo, passei a sentir cada vez mais a presença de DEUS na minha vida. Era como se Ele me cutucasse e me falasse: "Meu filho, acorda! Eu estou aqui de braços abertos para ti!" Mesmo quando eu pecava, podia senti-lo perto de mim.

Bem, o tempo foi passando e cada vez mais eu sentia algo forte em mim. JESUS não parava de dizer em meu coração que me queria para seu Serviço, mas eu não entendia o pedido do Senhor, tudo era muito novo para mim. Pra vocês terem ideia, irmãos, do quanto JESUS é maravilhoso, Ele insistia que eu estivesse a seu lado, mesmo com todo meu jeito rude de ser.  Então, numa segunda-feira à noite, liguei a TV no programa da Canção Nova chamado De Mãos Unidas. Enquanto assistia ao programa, no momento da Adoração do Santíssimo Sacramento, de repente o Padre contempla a restauração da vida de um jovem, e começa a falar a história daquele jovem, e foi falando tudo que se passava em minha vida. Eu sentia que era comigo, então comecei a chorar. Para completar e deixar aquele momento mais forte ainda, o Padre disse "JESUS me mostra a imagem desse Jovem chorando".  Aí  foi que eu chorei mais ainda. A partir desse dia, meus irmãos, eu entendi o que JESUS queria, e atendi o seu pedido. Hoje sirvo a nosso SENHOR JESUS CRISTO com todo meu Coração. Hoje eu entendo o motivo de nunca ter me interessado por bebidas alcoólicas, cigarros, drogas, baladas, não cedia as coisas mundanas. E um livramento quem sabe até de morte, pois há alguns anos atrás, quando JESUS tocou no coração de uma pessoa para me tirar de um carro no qual cinco minutos mais tarde iria acontecer um acidente envolvendo outros dois carros ,graças ao nosso BOM Deus ninguém morreu, mas a diferença era que eu era o único que ia em cima, na traseira do carro. Minha sorte não seria a mesma, mas NOSSO GRANDE DEUS ME SALVOU.

Através desses acontecimentos entendi o que DEUS queria, e que ele realmente tem um plano na minha vida. Escrevendo esse testemunho de vida, chego a me emocionar, me sinto guiado pelo ESPÍRITO SANTO, e digo a vocês, amados irmãos: DEUS pode mudar a sua vida também. Ele não pede muito, Ele não quer muito de você. Apenas abra uma brecha e DEUS vai transformar a sua vida assim como fez comigo. Ele quer e pode! Nada é impossível para Ele, mas isso também depende de nós. Hoje sou um Católico verdadeiro, apaixonado pela SANTA MISSA e pela EUCARISTIA, também por meu Grupo de Oração. Sofro perseguições, mas DEUS me ajuda e me dá o discernimento para defender a nossa Fé Católica.

Temos a oportunidade única de parar um pouco diante de nós mesmos e de Deus e de nos perguntar: Como tenho agido? As minhas atitudes edificam as pessoas com as quais convivo? A minha presença torna melhor o ambiente onde eu trabalho ou quando eu chego noto um constrangimento no ambiente? Tenho disposição de ajudar as pessoas ou fico competindo com elas? Sou amigo, fraterno e cordial? Relaciono-me bem com as pessoas ou sou briguento e implico com tudo? Precisamos ser para espelho da bondade de Deus para os demais.

Tenhamos a coragem de encarar a nossa verdade, seja ela qual for, e colocá-la sob a luz de Cristo, para que sejamos transformados pelo poder de Deus.

“Lançai sobre mim a vossa luz e a vossa verdade; que elas me guiem e me conduzam ao vosso monte santo,  aos vossos tabernáculos” (Sl 42,3).

Rezemos ao Senhor para que o nosso coração seja manso e humilde, como o d’Ele: Senhor, dá-nos um coração puro, manso, humilde, capaz de amar e de acolher o próximo incondicionalmente e de fazer o bem sem olhar a quem.

Bem meus queridos irmãos, esse é o meu testemunho de Vida. Espero que gostem, e peço que não abandonem o caminho de DEUS, que busquem a SANTIDADE, e serão muito bem recompensados.

Que Deus abençõe a todos nós, e ao nosso Irmão Roberto Amorim, criador desse maravilhoso blog.  A Paz do Senhor e o Amor da nossa Mãe MARIA!

 
 
Diego Martins
diego_degu@hotmail.com