O Dom de Ser Anjo


Uma das mais fascinantes e surpreendentes marcas que Deus imprime no meu dia a dia é o seu jeito de nos ensinar a sermos seus filhos. Percebo que Ele esconde nas situações cotidianas peças do quebra cabeças que temos de montar para enxergarmos a real imagem do que somos. Ao mesmo tempo, esconde em nós peças que servirão para restaurar, remodelar ou pelo menos mostrar que a história dos nossos irmãos não acabou. Sempre dá tempo de recolocar as peças do quebra cabeças. Concede-nos muitas vezes o dom de ser anjo para o outro.

É certo – e isto o sabemos por meio da Santa Doutrina que da Igreja recebemos – que nenhum homem é ou será transformado em anjo, mesmo depois de seu encontro final com Deus. Os anjos, seres espirituais criados por Deus para seu louvor e adoração, não são de nossa natureza. Ou antes, nós não pertencemos á deles. Em sua natureza puramente espiritual, contemplam a Deus face e face e desfrutam de uma realidade inconcebível e inalcançável à nossa mente. Vêem em Deus a nossa realidade e por Seu desígnio auxiliam e guardam os filhos de Deus. E a própria escritura, citando em diversos trechos a expressão “... o anjo do Senhor...” caracteriza dessa forma uma atuação direta do próprio Deus por meio do seu mensageiro. O dom de ser anjo reside, portanto, nas oportunidades que temos de conhecer um pouco daqueles que de nós se aproximam e dar a Deus, por meio de nós, a oportunidade de tocar a vida e o coração do outro. Não seria demais pensar que, se cada um de nós é templo vivo de Deus Uno e Trino, somos também local preferencial da Sua ação santificadora. Lugar de encontro, ocasião de resgate... Anjo. Ao mesmo tempo ser lugar de encontro com a graça de Deus requer de nós um cuidado ainda mais especial para com aquele que de nós se aproxima e para conosco mesmos. A dádiva de ser anjo para outros gera em nós sementes de ressurreição que precisam germinar também no coração do outro. Não as mesmas flores, mas sim aquelas que exalem o perfume da presença do Senhor.


Ser anjo é levar a carta que Ele endereçou ao outro, mas a quis escrever com a nossa caligrafia. Quantos de nós, ao ver transcrito um texto de qualquer autor que nos seja atraente, não reconhecemos claramente o seu estilo, forma, palavras, mesmo que a letra não seja manuscrita pelo autor? Ser anjo é isso. Levar o outro ao Divino Autor da carta que entregamos em cada encontro.


Deus tem me dado a experiência de entrar na vida de um grande número de pessoas por conta de diversos fatores: por ser coordenador de grupos de Crisma, por tocar em retiros, missas, grupos de oração e também por novas amizades que tenho conquistado. Peço a Deus que, se de fato Ele me tem concedido a graça de ser anjo para alguém, que eu jamais prenda em mim o coração de nenhum desses. Se me olharem, que vejam a Ti, Senhor. Ouvindo minha voz, que escutem a Tua. Se a algum deles eu trouxer de volta, que seja para o Teu abraço.


E que nós, juventude católica, Geração PHN, tenhamos a coragem de sermos anjos para todos quantos o Senhor nos confiar.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!



Com carinho e orações,

Roberto Amorim.

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