Hoje eu Quero Chorar



Quem disse que chorar é exprimir tristeza? Quem disse que chorar é uma expressão de dor? Quem disse? Por acaso foi o Aurélio?
Mas o Aurélio também disse que o choro é um conjunto instrumental com flauta, violão e cavaquinho; e para intensificar a harmonia inseriram o bandolim, a clarinete e o pandeiro. Festa para quem é faceiro!
Choro, chorinho e chorão! Choro grande, choro pequeno, choro de contemplação.
Mas isso tudo não passa de uma introdução para dizer que hoje quero chorar. Quero chorar de todas as formas: de tristeza e de alegria, de admiração ou decepção, chorar com as verdades ou com as ilusões; isso tudo porque o mundo é contradição e eu tenho minhas razões.
Razões que me fazem de fato chorar mesmo que eu não queira, mas às vezes é impossível evitar que lágrimas não caiam de meu olhar. Às vezes eu as prendo e fico com o nó na garganta para que ninguém possa notar.
Queria ser como o palhaço, que pinta seu rosto e sai para animar, se estiver triste, ninguém conseguirá enxergar. A sua máscara esconde a mágoa que acaba por ser substituída pela alegria dos que riem da graça do palhaço que antes era triste.
Hoje eu quero chorar e derramar minhas lágrimas. Quero chorar as dores do doce e amargo mundo.
Também quero chorar ao ouvir a melodia que é entoada todos os dias. Nessa melodia as notas que compõem os acordes são emitidas no sol, lá, si dos bem- ti- vis e no cri-cri dos grilos. A mãe natureza me trás alegria por que ela é feita por choros que são melodias. É o buá da criança quando sai do ventre de sua mãe e o buá da mãe que deu a vida. É o chuá das águas que descem do céu e o chuá das águas que correm nos rios. É o barulho do vento batendo nas folhagens das árvores e o toctoc das marteladas do carpinteiro a moldar a cama no qual irei repousar.
O dia que era claro se fez noite que é escura. Mas não quero viver a escuridão do fim do dia, não quero chorar “por ter perdido o sol, as lágrimas me impedirão de ver as estrelas”.
Ao chorar tudo o que hoje quis, minha alma encontra-se limpa, leve e solta. E essa leveza por ter a alma livre permite que eu contemple com exatidão o perfil da noite que não é escura, esta é iluminada pelo brilho da lua e das estrelas.
Um jogo de luz que ilumina aqui e ali cada músico que toca a sinfonia da mãe terra, obra do Divino.

Jeus Sacramentado,
Nosso Deus Amado.
Aline Xavier Bras -
08 de julho de 2010

Um comentário:

  1. Me identifiquei com esse aki também..
    Adivinha por quê? :D
    muito liiindo!
    Abraço à autora, minha chará! rs
    Paz e Bem..

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