O PREÇO DE NOSSA SANTIDADE


Hoje em meu coração Deus deixou cair um pequeno, mas pungente espinho. Digo “deixou cair” não porque tenha sido descuidado, mas porque permitiu, como mais um sinal de carinho Seu para comigo. Percebo que os carinhos do Senhor não precisam fazer sentido para este tempo, para os olhos e almas que enxergam somente o que passa. O horizonte do eterno, aquele que os olhos e coração puramente humanos não alcançam, é tracejado de adornos que somente a pobreza permite contemplar e saborear. Por muitas vezes, eu não possuo essa graça, mas a Ele apraz me corrigir em Seu Amor para que a vida que desejo viver possa viver em mim e ser também vida para os irmãos.

Neste dia, uma doce angústia me pulsava – e ainda pulsa – no coração. Minha alma se perguntava algo que por certo habita em mim, mas hoje me tocou de modo mais forte e mais doído: Qual o preço de nossa santidade? O quanto nos custa a vida com Deus? Hoje, percebo que, se nada nos custa a vivência de nossa fé, a nossa busca por Deus, também não há um grande valor nela. O quanto te custa a tua santidade é o quanto ela vale. Se a vida em Deus nos custa muito, se a busca de nossa santidade é permeada das renúncias características a um grande amor, se nos é custosa a opção por estar a caminho do céu.., em suma, se nossa santidade nos custa muito, ela vale muito. Mas se, ao contrário, a busca por Deus não tem nos levado a optar muitas vezes por vias que, apesar de dolorosas, ocultam atrás de si a parcela de ressurreição de cada momento; se buscar a Deus não tem sido razão de grandes lutas; se não nos custa nada buscar ao Senhor e Sua Verdade, então, ainda que doa dizer, essa busca não vale nada.

Por certo que não falo aqui de uma busca por Deus na qual o próprio Senhor vá nos obrigar a sofrer o tempo todo. Não há sentido em pensar isso, ainda que muitas vezes nós mesmos insistamos em perguntas infantis do tipo: “Se Deus é bom, por que estou sofrendo?”. Mas é necessário entender que se nos dispomos a uma vida de discípulo, nos é necessário ser temperados por Deus, viver a martyria – testemunho – da opção diária e constante por Sua vontade. É errôneo achar que o SIM a Deus seja apenas um momento de nossa história, quando na verdade, o eco desse sim deve plasmar todo o caminho feito daí para frente.

Penso que no sim de cada dia, reflexo e ressoar do chamado inicial, há sempre um preço a ser pago, há sempre a possibilidade de optar entre a liberdade de ser de Deus e a escravidão de resguardar-se para si mesmo. “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25). Não há uma receita para se seguir ao Senhor sem precisar passar por essa dinâmica de morte e ressurreição: a decisão de pertencer a Deus sempre passará pela pergunta: O QUE TENS DE TÃO VALIOSO QUE NÃO POSSA SER TROCADO PELO TUDO? Tal pergunta foi feita de diversas formas a tantos na história da salvação. A Abraão, Moisés, Samuel, Maria, aos Apóstolos... Assim como cada um desses deu seu SIM ao longo de uma história em que Deus tornou-se mais do que uma ideia, mas uma realidade perfeitamente tangível em suas vidas. Ao mesmo tempo, a mesma pergunta foi feita ao jovem rico, que se afastou sem ter o que responder, justamente por não pagar o irrisório preço de sua realização em Deus.

Termino esta reflexão com uma inspiração completamente providencial. Enquanto redigia esta reflexão, dava-me o Senhor a Graça de partilhar com minha afilhada acerca da vida com Deus. Não mais que de repente, creio que Deus soprou aos ouvidos dela a frase com a qual encerro a reflexão. Seja ela nossa inspiração para nos decidirmos a pagar o preço para vivermos o que Deus nos propõe...

Eu prefiro ficar com meus olhos vendados para o futuro,
Mas continuar olhando os passos que estou dando hoje
(Christine Vecchi)





Com carinho e orações,
Roberto Amorim
10/05/2010 – 21:01h

Um comentário:

  1. PARABÉNS PELO BLOG. cONVIDO-TE A VISITAR O NOSSO BLOG MARIANO: www.virgemdeguadalupe.blogspot.com

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