Resgate Já...

Este texto foi escrito já há um bom tempo, e ontem, numa despretenciosa conversa com uma menina que vale ouro, lembrei-me dele e resolvi postá-lo aqui no blog. Percebi que Deus, sendo eterno, sabe bem como usar nossas "cruzes" de modo atemporal, para ressuscitar jardins em nossos corações a qualquer tempo. Minha dor de três anos atrás, por pura obra de misericórdia de nosso Grande Deus, perfumou o coração de uma outra história, essa atual. 

Com carinho e orações dedico esse texto a Grayce Sodré.



Fim do dia, o sol vai se pondo, sumindo no horizonte, o céu vai se deixando pontilhar de estrelas que vigiarão a noite que cai. Vem ao coração aquele conhecido anseio pelo merecido descanso que nos sugere o ocaso. E em meio a todo este cenário, surgem também esperanças, esperas, saudades, amores... Perguntas que precisamos responder por meio dos fatos que vivemos e nos permitimos viver ao longo do dia: o que resta de mim em mim quando finda o dia? O que ficou em mim que pode se tornar parágrafo da próxima página de minha história?

Muitas vezes não sabemos ou não queremos perceber o quanto de nossa vida vai ficando pelo chão de nossa história ao longo de nossas vivências. E se pedaços de mim vão sendo esquecidos à beira do caminho, é bem capaz de que outros pedaços acabem sendo roubados e seqüestrados por aqueles que permitimos entrar em nossa vida. E ao fim do dia nos deparamos com tão pouco de nós mesmos que a inadequação e indocilidade que antes eram razões de sonhos e metas tornam-se angústia por causa da saudade que temos de nós mesmos. Porque nesta constante aventura de caminhar pela vida nossos descuidos de nós mesmos nos fazem renunciar à posse do tesouro que somos. E se não nos temos integralmente, não podemos nos dispor ao outro. Acabamos ou por nos dar aos outros pela metade ou damos mais do que ele merece.

Por isso é necessário viver cotidianamente nosso processo de resgate, recolhendo aquilo que é essencialmente nosso para que não percamos a dimensão de nossa identidade. Ao mesmo tempo, não podemos deixar que as circunstâncias cristalizem em nós realidades que não nos pertençam. Neste mundo de fachadas impostas, a gente corre o risco de deixar de se reconhecer, por tentar assimilar demais aquilo que nos violenta. Como uma obra de arte que só está completa quando o artista que a criou retira os excessos da matéria prima de que é composta, e não faculta a qualquer um o direito de lhe subtrair ou adicionar o que julgar necessário, também nós somos assim. Sabemos bem – e só nós o sabemos – o que o Artista precisou lapidar em nós para que fôssemos aperfeiçoados. Tanto quanto sabemos dos preciosismos e caprichos com que Nosso Autor nos ornou, e são caros demais para que os deixemos cair pelo caminho ou entregues a quem não tem o direito de possuí-los.

E assim, como a obra de arte como um todo pertence ao seu autor, também cada parte da obra a ele pertence. Portanto, é tempo de resgatar aquilo que, pertencendo a nós, pertence primeiramente a Deus.

É hora de resgatar as posses de Deus em nós.

Resgate já.

Paz e  Bem
Roberto Amorim
Junho de 2008



3 comentários:

  1. Maravilha irmão,que Deus continue lhe abençoando e que lhe conserve assim,com esse belo dom,belas palavras e que você sirva de exemplo para muitas pessoas na caminhada,Deus lhe abençõe Roberto Amorim.

    por: Diego Martins.

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  2. Esse menino é a voz de Deus na minha vida...
    Que Papai do Céu te preencha cada vez mais com seu Santo Espírito e para que continues exalando esse amor para todos nós!

    Bjus no coração da amiga Cíntia Rocha

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  3. Resgatou em mim o q havia se perdido ha algum tempo ! Com uma breve conversa e um texto magnífico... Simples assim. Ás vezes sinto como se Deus falasse comigo através de ti. Que Ele possa te abençoar cada dia mais e q seu Espírito Santo continue inundando o seu ser. Obrigada por dedicar pra mim. Na verdade, acho q este texto foi feito p/mim. rs Talvez vc não soubesse, mais foi.

    Com carinho, Grayce Sodré !

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