TEMPO DE RESSURREIÇÃO


Ó pecado de Adão indispensável,
Pois o Cristo o dissolve em Seu Amor
Ó culpa tão feliz que há merecido
A Graça de um tão grande Redentor
(Proclamação da Páscoa A – Vigília Pascal da Santa Igreja Católica)


Ó noite tão infinitamente luminosa! Ó gloriosa manhã de domingo que presenciou a vitória do Cordeiro sobre o aguilhão do pecado! Se a Cruz deixou atônitos os corações que ousaram crer no Carpinteiro da Galiléia, a manhã daquele domingo transformou-a na ante-sala da Glória Eterna, glória esta destinada àqueles que crêem no Filho do Homem.


Ponho-me a pensar que esta imensurável alegria pascal reside justamente na certeza de termos um Deus que nos ama com um amor que excede toda e qualquer tentativa de compreensão humana. Um amor que supera de tal modo o entendimento humano é em si mesmo a própria explicação de tão excelsa realidade. Não se define com a pobreza das palavras humanas e não pode ser descrito pelo intelecto de nossa mente. Que nos pareça contraditório ou mesmo que nos cause risos, tal amor só é compreensível se assumimos que está muito além de nossa capacidade reflexiva. Um amor que não vê limite em sua capacidade de expandir-se, tal é por nós o amor do Ressuscitado. E é esse mesmo amor que transpõe a realidade que nos foi imposta pelo pecado: A MORTE!


Ó amor tão profundo e intenso que nos atinge a alma fazendo-nos cantar: “Ó feliz culpa de Adão / Que nos tenha merecido tão grande Redentor!” no Exultat do Precônio Pascal! Que amor tão imenso é este que nos possa tirar do coração um louvor tão sublime pelo pecado outrora cometido por nossos primeiros pais, transfigurando-o na Graça de recebermos o dom da Encarnação?! O Cristo, Verbo Eterno do Pai, não simplesmente passou pela morte, mas em seu amor infinito, atravessou-a, rompendo suas grades e retorcendo os grilhões que a ela nos prendiam. E assim libertando-nos, o mesmo amor nos convida a assumir esta liberdade de modo pleno, como autênticos FILHOS DA RESSURREIÇÃO!



É tempo de ressurreição!
No confronto final, Cristo nos deu a Vitória!
A Cruz, outrora sinal de humilhação, torna-se Altar da Obediência Perfeita ao Criador, e logra para nós o penhor da Vida Eterna!
O amor de Cristo nos abraça, eleva e ressuscita!
Vivamos, pois, sob os cuidados desse amor!
Ressuscitemos nas chamas desta Divina Fornalha, cujo poder destruiu a morte!
Vivamos em Cristo!


“Amor tão grande, amor tão forte
Amor suave, amor sem fim
Que a própria morte transforma em vida
Abraço eterno de Deus em mim

Nem as torrentes das grandes águas
Conseguirão apagar esse Amor
Pois suas chamas são fogo ardente
Mais do que a morte é tão forte esse amor...”

(Abraço Eterno – Nicodemos Costa)

Cristo ressuscitou!
Feliz Páscoa!
Irmão Pelicano – 12/04/09

Um comentário:

  1. Nossa Beto!
    Viajei lendo...
    Tens um dom muito especial sabe?...q faz com que as pessoas voltem a ter esperança... voltem a ser poetas... voltem a se reencontar...
    'exceder toda e qualquer tentativa de compreensão humana', nada mas verdadeiro quando tentamos explicar o Amor de Deus, manisfestado pela ressurreição de Cristo.
    Amo-te!

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